O que não se vê por trás de um negócio: amor, luta e verdade
Estou de volta, meninas!
Olá meninas, depois de um mês de ausência cá estou eu novamente para falar umas linhas convosco! Este mês foi um mês atípico. Tive muita vontade de vir até aqui escrever e contar o meu estado de espírito, sempre que o queria fazer pensava duas vezes porque estava tão revoltada que provavelmente iria escrever o que não devia. Hoje só estou a fazer porque, por muitas voltas que a vida possa dar, o amor é realmente o mais importante!
Estive a trabalhar mais de um mês sem folgas, ao fim de 22 anos de empresa dou por mim no mês de dezembro sozinha, onde nada faria prever e sem sequer dar tempo para me organizar ou arranjar alguém para ajudar. Ficas descalça de um dia para o outro, onde nada faria prever esse cenário, pelo menos na minha mente. A verdade é que é do conhecimento geral que cada vez é mais difícil arranjar colaboradores. Estamos numa era de meninos mimados, sensíveis e sem responsabilidade nenhuma. A falta de empatia é notória, o bom senso desapareceu e o respeito também. Quando te dás bem, confundem amizade com confiança e ultrapassam os limites entre entidade patronal e funcionário.
Dizem que a culpa é minha, que não sei impor limites, mas a culpa é desta nova era que faz tudo o que lhe apetece e há sempre alguém a passar a mão pela cabeça. Fui educada a respeitar quem manda em mim, fosse mais velho ou da minha idade. Havia respeito. Ainda hoje mantenho amizades dos meus trabalhos que tive e em todos eles tecem elogios, sinal que deixei uma marca positiva. Hoje em dia ninguém deixa marcas porque esta nova era nem sabe o que isso é. E só falo de valores. Onde andam os valores morais?
Isto era uma conversa que dava um debate, onde muitos são contra, outros a favor. Uma coisa é certa: o trabalho a mim nunca me meteu medo. Sou a primeira a arregaçar as mangas, de malandra nunca ninguém me chamou. Tenho 51 anos e trabalho muitas vezes 10 a 12 horas por dia. Quando trabalhamos com amor, não é só trabalho, é prazer.
Apesar da idade, sou uma pessoa criativa, inovadora e com uma vontade enorme de aprender. Este ano dediquei-me a estudar mais a minha área, demos início a um novo projeto. Dentro de mim existe uma vontade gigante de crescer e expandir e sinto-me presa, encurralada por falta de mão de obra com a mínima qualidade para trabalhar, em todas as áreas. Nem sempre é um mar de rosas, muitas vezes estamos sob pressão e, na primeira dificuldade, abandonam o barco. É uma tristeza…
Acreditem numa coisa: esta geração até pode abrir negócios, aguentar 20 anos como a minha geração, esqueçam, não conseguem. À primeira dificuldade fecham ou dizem que já não faz sentido. É triste, mas é a realidade que temos!
A Carla Valente é uma pequena empresa familiar que foi crescendo devido ao online. Quando tentamos admitir um funcionário, muitos deles procuram a loja de rua porque estão fartos dos horários de shopping, de não ter fins de semana e porque estão constantemente à prova. A realidade é essa. Não passam de um número nessas empresas, pois se faltarem alguém os substitui, se ficarem de baixa alguém fica no lugar deles. A grande diferença é essa. Para nós não são mais um número, são o número, e agem de forma inconsciente sem pensar no prejuízo que dão. Na nossa empresa, os funcionários têm nome, não são o número 27 ou 510.
Na nossa empresa escutamos, pomos à vontade até à vontadinha. Eu trabalho a par com eles, tanto estou no armazém como na loja, dou o exemplo, sou das primeiras a chegar e das últimas a sair. Temos dias que não se faz nadinha, temos outros intensos de trabalho, e é aí que se sentem com mais pressão. Acham que por fazerem mais um pouco ou o que deveria ser o normal têm que ser mais compensados. E os dias que se esteve parado, quem me compensa?
Para não falar que têm voz. Surge uma consulta de última hora, a empresa ajusta o horário. Preciso sair mais cedo, a empresa facilita. Hoje passei mal a noite, a Carla abre a porta. E depois querem crescer. Como se cresce numa empresa onde o patrão é o maior trabalhador, onde não se pode atrasar, nunca pode ter imprevistos nem consultas de última hora? Pior, nem ir às consultas já marcadas porque alguém nesse dia passou mal a noite e não pode vir.
Crescer só se for para o telhado. De resto, como crescem se não fazem os outros crescer? Sabem onde é o melhor lugar desses colaboradores? Realmente são em shoppings ou em empresas grandes, que não passam de mais um. E quando crescem dão-lhes mais 50€ e o dobro da responsabilidade e são felizes assim. Melhor ainda, nem podem reclamar nem ficar doentes porque não conhecem o verdadeiro patrão e assim fica mais difícil falar ao coração. Então sujeitam-se ou vão embora e facilmente são esquecidos, porque realmente não há proximidade, não há afeto, não passam de mais um que era muito bom mas já foi…
Entendem o que quero dizer? Atenção, afeto, bom ambiente e liberdade de expressão não há dinheiro no mundo que pague. Qual seria o valor que nos teriam de dar? Já pensaram nisso? Penso que não, porque hoje em dia ninguém se coloca no lugar do outro. Por isso vivemos num país de subsídios, onde o maior esforço que o trabalhador tem que fazer é trabalhar seis meses seguidos para depois ir buscar o subsídio de desemprego.
No meio deste turbilhão de coisas que nos fazem pensar que o defeito é nosso (até dá vontade de rir).
Com uma porta aberta e uma carteira de clientes bastante vasta, eu vejo que não sou maluca e não estou sozinha nesta luta. Desde a dentista que precisa de uma rececionista e desaparecem, cabeleireiras que são deixadas na mão quando mais precisam, restaurantes, construção civil, até o meu vizinho do lado com uma cadeia de lojas tem mais de um terço dos funcionários de baixa. Somos todos malucos, o defeito é nosso. Áreas diferentes e tudo com o mesmo problema comum, mas o defeito é nosso… Sem comentários…
Juro que não queria escrever este blog por causa disto, porque sou genuína, transparente e iria dar asas à escrita e não conseguia parar.
Este é o meu blog, onde sou eu, a verdadeira Carla, com imensos defeitos pois sou humana, mas com a certeza que sou uma excelente profissional e ser humano, por muito que me tentem fazer de doida.
Quem não se identificar pode simplesmente não ler 😉 e está tudo certo. Afinal de contas, poucas seguem mas todas leem, quanto mais não seja para cuscar e criticar ou fazer conversa entre colegas ou fornecedores 😂😂😂.
Queria já agradecer à Nossa Senhora da Saúde, que protege os empreendedores com uma força incrível, como se fosse uma vacina para aguentarmos o nosso pequeno negócio com tanto, tanto contratempo do dia a dia.
Queria agradecer à minha família. Sim, a família, a minha é a melhor (como as vossas). Natal é isto, é aquilo, aí porque é tudo uma hipocrisia. Não, minhas queridas, Natal também é amor, é barulho, são gargalhadas, são pequenas discussões. Natal é amor!
Todos os Natais são especiais, mas este foi mais ainda. Depois de um mês exausta, revoltada, parei no dia 24 e o amor apoderou-se de mim…
Nenhum lugar do mundo é melhor do que junto dos nossos e não há dinheiro no mundo que pague isso. Sou milionária, sabiam? Muita gente fala em inveja isto e aquilo, mas realmente o que mais pode provocar inveja não é um negócio, não são bens materiais, porque isso está ao alcance de qualquer um, só tem que trabalhar… Agora quando falamos em amor, minhas amigas, isso dinheiro nenhum do mundo compra. É um facto. E aí sim acredito na inveja, porque ser bem-amado não está ao alcance de todos, uns porque muitos de nós não podem ter aquilo que não dão.
Quem me conhece e já trabalhou connosco sabe que somos uma família, para muitos estranha kkk. No trabalho às vezes discutimos vezes sem fim, todos querem ter razão. Trabalhar com família não é fácil, mas também só é possível pelo amor que nos une.
O meu marido, como sabem, há pouco sofreu um pequeno acidente, partiu o calcanhar, e quem acham que esteve comigo ali na loja horas de pé, tardes, domingos, sábados? Foi ele. Cada dia que passa o nosso amor cresce pela paciência e companheirismo. Ele é colo.
No Natal é uma explosão de amor, com a minha mãe, a minha querida irmã, os meus sobrinhos, filhos, netas, sogras, noras, tudo! No Natal esqueci todo o mês de dezembro, todas as pessoas que não fazem sentido, porque ali naquela sala estava todo o sentido da vida e sem dúvida o melhor presente que se pode ter. Amo a minha família.
Estes dois dias em casa foram um balão de oxigénio, fizeram-me tão bem. Voltei cheia de energia e ontem trabalhar foi fácil, mesmo com trocas, mesmo com pessoas menos simpáticas, mas foi leve porque carreguei o combustível necessário para os próximos desafios. Ontem também foi um dia especial, foram lá dois clientes/amigos que já não via há algum tempo e foi fantástico. Saudades das nossas conversas, gargalhadas, risos e choros, foi tão bom. Obrigada Delfina e marido, sempre que estou convosco sinto-me mais rica e inteligente 🧠.
Temos sempre que olhar para as coisas positivas do nosso dia a dia e dezembro também trouxe coisas e pessoas maravilhosas ❤️ obrigada universo!
Acredito que hoje eu esteja a ser uma grande seca para algumas pessoas que estão a ler, mas tantos dias sem escrever dá nisto 😂
Volto no próximo ano com decisões tomadas, muita coisa vai mudar e prometo, vocês são sempre as primeiras a saber 🥰 pois fazem parte da minha vida.
Por hoje me despeço sem deixar de agradecer todo o carinho e paciência que têm comigo. Peço desculpa às mais sensíveis, prometo-me controlar mais em 2026 😂😂😂
Um beijo gigante nos vossos corações 💕
Com carinho
Carla Valente
